Velvet Revolver: três do Guns N’ Roses, uma voz inesperada e só dois discos
Slash, Duff McKagan e Matt Sorum já não tocavam com Axl Rose. Faltava um vocalista, e eles o encontraram onde ninguém procurava: no Stone Temple Pilots.
No fim dos anos 90, o Guns N’ Roses foi se desmanchando aos poucos. Slash saiu em 1996, Duff McKagan em 1997 e, pouco depois, Matt Sorum foi demitido. As diferenças com Axl Rose tinham tornado impossível continuar.
Cada um seguiu seu caminho até que, em 2002, a morte de um amigo os reuniu de novo. Randy Castillo, baterista de Ozzy Osbourne, morreu de câncer, e os três tocaram num show beneficente em sua memória. Em cima do palco, perceberam que a química continuava intacta.
Começaram a ensaiar e chamaram Dave Kushner, um guitarrista com raízes no punk que era amigo de Slash desde a escola. Faltava o mais difícil: o vocalista.
A busca foi gravada pelo canal VH1, com um nome provisório: “The Project”. Passaram muitas vozes, entre elas a de Sebastian Bach, do Skid Row, mas nenhuma convenceu. Alguns, como Mike Patton, do Faith No More, nem quiseram ir ao teste.
O escolhido estava mais perto do que parecia. Scott Weiland, a voz do Stone Temple Pilots, era amigo de McKagan: os dois frequentavam a mesma academia. Na primeira vez, ele disse não, porque sua banda continuava na ativa. Quando o Stone Temple Pilots se separou, em 2003, ele aceitou.
A primeira gravação juntos foi “Set Me Free”, para o filme Hulk, além de uma versão de “Money”, do Pink Floyd, para Uma Saída de Mestre. “Set Me Free” chegou às rádios de rock dos Estados Unidos sem gravadora e sem divulgação.
Faltava um nome. Slash gostava de “Revolver”, pelos vários sentidos: a arma, a porta giratória e o disco dos Beatles. Weiland sugeriu acrescentar “Velvet”, veludo: gostava da mistura de algo suave com algo perigoso. E assim ficou.
O disco acabou vendendo quatro milhões de cópias no mundo. “Slither” ganhou o Grammy de 2005 de melhor performance de hard rock e, no mesmo ano, a banda tocou no Live 8, o megashow contra a pobreza.
Mas a turnê de dezenove meses cobrou seu preço, e os excessos voltaram. O segundo disco, Libertad, saiu em 2007 e chegou ao quinto lugar. Naquele ano, a banda rodou a América do Sul ao lado do Aerosmith e a América do Norte com o Alice in Chains.
O fim veio em março de 2008, em Glasgow. Weiland disse ao público que aquela era a última turnê da banda, sem saber que os colegas já pensavam em demiti-lo. Em 1º de abril, sua saída foi anunciada, e ele voltou para o Stone Temple Pilots.
O Velvet Revolver procurou outro vocalista durante anos, sem nunca encerrar a busca. Com Weiland, voltaram a tocar uma única vez, em 12 de janeiro de 2012, num show beneficente. Foi a última. Scott Weiland morreu em 3 de dezembro de 2015, e no ano seguinte Slash e McKagan voltaram ao Guns N’ Roses.
Foram seis anos e dois discos. Pouco para uma banda com esse currículo, mas o bastante para deixar um dos melhores retratos do rock de guitarra dos anos 2000.
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