1982: a proibição que fez o rock argentino explodir
Em plena Guerra das Malvinas, a ditadura proibiu música em inglês nas rádios. Sem querer, abriu as portas para toda uma geração de bandas.
No começo dos anos 80, o rock argentino tinha um público fiel, mas muita gente nem sabia que ele existia. O que mudou tudo não foi um disco nem uma banda. Foi uma guerra.
Em 2 de abril de 1982 começou a Guerra das Malvinas, entre a Argentina e o Reino Unido. A ditadura militar que governava o país tomou então uma decisão insólita: proibiu as rádios de tocar música em inglês.
Da noite para o dia, as emissoras tiveram que encher a programação com músicas em espanhol. E o que tinham mais à mão era o rock feito em casa. Assim, um público enorme ouviu pela primeira vez artistas que tocavam havia anos sem chegar às rádios.
Esse festival foi feito para pedir a paz e arrecadar mantimentos para os soldados. No palco estiveram, entre muitos outros, León Gieco, Charly García e Luis Alberto Spinetta.
A guerra terminou em 14 de junho. No ano seguinte houve eleições, e a Argentina deixou a ditadura para trás. Mas o espaço que o rock tinha conquistado nas rádios, ninguém tirou mais.
O que veio depois foi uma década inteira de nomes que ainda tocam por aí: Soda Stereo, Virus, Los Abuelos de la Nada, Sumo, Charly García, Los Fabulosos Cadillacs.
Aqui no Chile, a gente viveu isso de perto. O Soda Stereo, que tinha se formado justamente em 1982, saiu em turnê pela América Latina em 1986. Em fevereiro de 1987, chegou ao Festival de Viña del Mar, e o público chileno recebeu seus integrantes como ídolos. Aquela apresentação abriu para a banda as portas do resto do continente.
Ninguém planejou assim. Uma proibição pensada para castigar um inimigo acabou dando ao rock em espanhol a vitrine que ele nunca tinha tido.
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